“Todos os seres são iguais, pela sua origem, seus direitos naturais e divinos e seu objetivo final.” São Francisco de Assis

A caminhada em grupo seguia tranquila, era bom estar em companhia de brasileiros, especialmente desses irmãos mineiros que me tratavam como parte da família. O caminho foi me surpreendendo a cada dia, até aqui não havíamos encontrado nenhum outro peregrino na estrada, o que na verdade era muito prazeroso, pois mostrava o quanto a trilha seguia preservada do turismo excessivo. A paisagem ao redor decorria pacífica e impressionante, havia um silêncio ‘preenchido’ e uma calma que alimentavam minha alma. A vegetação de um verde intenso era úmida e facilitava nosso desenvolvimento na trilha. Eu só pensava: como esse caminho tem a cara de São Francisco. Quero dizer,  não que eu o conheça pessoalmente :), mas se ele é o protetor dos animais e do meio ambiente, faz muito sentido esse caminho ser ‘Caminho de Assis’.

3º dia – PREMILCUORE A CORNIOLO

Distância: 18 km

Dificuldade: Intensa. Dia de muita subida e chuva. Outono na Itália é uma estação chuvosa e a partir desse terceiro dia pegamos muita chuva por quase todo o caminho, além de um forte nevoeiro e frio. Penso como deve ser diferente percorrer essas trilhas durante a primavera ou mesmo no verão. Aliás, não o faça no INVERNO!! É perigoso e eles até fecham o caminho.

Marcação: Questão de paciência. Continue caminhando sempre atento as marcações verdes!!! Muitas vezes na trilha você vai encontrar marcações de outras cores. Isso porque esse caminho se encontra com outras vias, como a via Francígena, outro Caminho de Assis e por aí vai. Mantenha-se focado nas linhas verdes e no adesivo com o bonequinho de São Francisco de Assis.

Refúgio: Refúgio do Caminho. Fica ao lado de uma pequena igrejinha. Você verá uma placa indicando ‘refúgio’ a sua direita. Não ligamos na noite anterior para reservar, mas Carla, proprietária do refúgio anterior, ligou no mesmo dia e avisou da nossa chegada. No entanto quando encontramos o refúgio não havia ninguém para abri-lo. Percorri a cidade em busca de ajuda e acabei encontrando uma senhora que chamou um outro rapaz que falava espanhol, facilitando assim nossa comunicação. Consegui pegar o código que abria uma caixinha na parede do refúgio, e dentro dela encontramos a chave para abri-lo. Entramos e descansamos desse longo dia chuvoso.

O refúgio tem aquecedor a lenha, dois banheiros com água quente, 8 camas, cozinha com armários recheados com itens como macarrão, molho de tomate e molho pesto para uma rápida e farta refeição. No entanto decidimos comer no restaurante do Gigino, comandado por sua própria mãe, uma italiana muito simpática que nos serviu um banquete regado a vinho tinto e com direito até a sobremesa.

premilcuore-cornilo

4º dia – CORNIOLO A CAMALDOLI

A manhã acordou chuvosa e o grupo sentia o cansaço do dia anterior. Decidimos então pegar uma carona paga com Gigino até o topo da entrada do Parque Nacional, uma subida imensa que nos tomaria no mínimo 3 horas de caminhada. Sem contar que o clima estava ficando cada dia mais complicado, sentia muito frio e definitivamente não tinha roupas suficientemente boas para tal temperatura. De lá seguimos a pé a Camaldoli. Esse foi um dos trechos mais bonitos do caminho, porém o frio me exigia caminhar mais rápido e assim me distanciei do grupo, seguindo por boa parte da trilha sozinha. Era bom caminhar em silêncio.

Distância: 22 km

Dificuldade: Intensa. Dia de muitas subidas e descidas inclinadas. A trilha é toda dentro do Parque Nacional, então o visual é de tirar o fôlego. No entanto, novamente, prepare seu lanche, água e fique atento as marcações. Pode-se encontrar porcos selvagens e outros animais no caminho. Eu não vi nada, só rastros. No entanto fique atento e esteja preparado para lidar com a vida selvagem.

Marcação: Dentro do parque é preciso estar atento, às vezes as marcações não são tão próximas, ou seja, dá a sensação de que você está perdido ou saiu do caminho. Fique tranquilo e siga! Você chegará no final do dia na portaria do parque e a partir dali o movimento aumenta.

Refúgio: Refúgio do Caminho. Esse foi sem dúvida o melhor de todos! A estrutura, a localização, a simpatia e a generosidade da voluntária que trabalhava por lá fizeram a diferença. Foi a melhor noite de descanso e um jantar delicioso preparado por ela, que por sinal não aceitou ajuda, pois disse que deveríamos descansar. Aproveitei para lavar minha roupa e secar tudo no aquecedor, coloquei também jornal no tênis na espereça de caminhar por pelo menos um dia com o tênis seco.

Ah! É aqui que você encontra a árvore gigante, centenária e magnifica que possui o tronco oco, no qual São Francisco de Assis costumava pregar.

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Gostou? Ficou com dúvida? Me escreve. Se quiser também te mando a planilha com os custos e roteiro desse Caminho. Comenta aí me avisando do seu interesse 🙂

 

 

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