BRASIL,  ESPÍRITO SANTO,  VIAGEM

PICO DAS BANDEIRAS – O terceiro maior pico do Brasil

Acho que a queridíssima Carina ao me convidar para relatar uma viagem aqui não tinha noção do quanto eu me programo mal, e quando tento planejar um pouco mais sai quase tudo diferente, mas espero poder contribuir com algo ao contar minha experiência!

Em junho de 2012…mais uma vez peguei minha mochila e vontade inabalável de desbravar o Brasil e ter a bênção de momentos divinos na natureza. Desta vez o estado escolhido foi Espirito Santo, que fica ali ofuscado pela propaganda turística bombástica do nordeste acima e mais bombástica ainda do Rio de Janeiro, logo abaixo. Eu não podia imaginar quantas surpresas este estado guardava!

Minha passagem por lá foi rápida  mas durou o tempo suficiente para ser inesquecível, parti de um voo de Ribeirão Preto a Belo Horizonte, onde peguei um ônibus para Alto Caparaó. O objetivo maior era escalar o terceiro maior pico do Brasil, o Pico das Bandeiras, que fica bem na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo, e depois conhecer a capital Vitória. Como de praxe organizei mal a viagem, fazendo a reserva da hospedagem apenas em Alto Caparaó. Não procurei guia ou agências de turismo para fazer a escalada e muito menos fiz reservas de hotel em Vitória. Mas como em todas minhas viagens coisas inesperadas acontecem e tudo sai mesmo diferente do programado, por isto me acostumei.

O trajeto Belo Horizonte-Alto Caparaó de ônibus é muito cansativo, são 7 horas de viagem, muitas paradas e estrada ruim. Quando cheguei na Pousada Querência já era noite, a recepcionista muito acolhedora me disse que não tinha mais vaga na saída com grupo para o Pico durante a minha estadia lá, porém tinha uma turma de amigos que estava se  preparando para iniciar a escalada noturna em poucos minutos. Ou seja, conheci a turma e parti rumo a aventura. Naquele dia nasceu uma amizade deliciosa que é presente na minha vida até hoje.

Era meia noite quando pegamos o carro, a água, as comidinhas e muuuuuita roupa de frio. Totalizávamos 5 pessoas e fomos para a entrada do parque, a qual naquele período ficava com a portaria aberta 24h. Iniciamos a escalada, considero-a de grau médio para forte, de dificuldade, pois é muito íngreme e estávamos sem guia. Um garoto do grupo já tinha ido uma vez, mas durante o dia, então tinha aquela constate sensação que podíamos estar perdidos. Não encontramos muitas pessoas pela trilha, havia indicações em amarelo pintadas nas rochas e placas informando a altitude.

Tirando a dificuldade, a trilha noturna é maravilhosa. Como não tem sol, o caminho fica mais confortável. A lua cheia e o céu aberto, iluminavam todo o percurso, não precisamos nem usar lanterna.

DICA: Beber água constantemente e levar snacks. As paradas para hidratação e alimentação foram essenciais.

pico da bandeira

Chegamos no pico na hora certinha para assistir ao maior espetáculo: o nascer do sol.

Lá em cima, a 2.892 metros o vento era constante, frio de doer. O calor humano era indispensável. Deitamos na área VIP e aguardamos…

pico da bandeira

E então começaram a surgir os primeiros raios: uma imensidão que te faz sentir mais perto de Deus e de si mesmo. Além de proporcionar uma boa dose de supressão de ego e relembrar o quão pequenininho somos.

pico da bandeira

Ali por cima das nuvens a paisagem lembrava um pouco a imagem da janelinha do avião, mas era infinito, um mar gigante de nuvens por todos os lados. E as nuvens estavam tão pertinho!

pico da bandeira

E o Deus Sol apareceu! A cada segundo a paisagem se modificava, as cores, o tamanho do sol, a arquitetura das nuvens….espetacular!

pico da bandeira

pico da bandeira

pico da bandeira

Paz, satisfação, gratidão.

pico da bandeira

pico da bandeira

E a volta…

pico da bandeira

pico da bandeira

pico da bandeira

Parecia que não tinha jeito de melhorar, mas tinha. Conheci a cidade de Vitória tendo meus novos amigos como guias e fiquei hospedada na casa da minha nova amiga, muito hospitaleira! Pousada 5 estrelas.

pico da bandeira

 

***IMPORTANTE: Cheque primeiro a previsão de tempo no local, não tem como escalar o pico se estiver chovendo, leve sempre capa de chuva, muita, mas muita roupa de frio, comida e água.

Namastê!

 

perfil ju

Julia, amante da natureza, de viagens, da música, da dança e da medicina. Aspirante a yogini, vê Deus em tudo e em todos. Acredita realmente que a vida não é contata pelo número de vezes que respiramos, mas pelos momentos que tiram nosso fôlego, porém, perder muito fôlego asfixia e pira. Por isto também gosta da rotina, pois um terreno estável e propício para trabalhar, concentrar, produzir, construir e até sedimentar tudo aquilo que foi vivenciado é essencial.

 

 

 

 

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