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CAMINHO DA FÉ – 10 DICAS DE SUCESSO

Eu acredito que uma viagem deve acontecer no fluxo e, para isso, precisamos permitir um espaço para que o inesperado aconteça. Porém, quando se trata de uma caminhada de 400 km, confesso que algumas dicas podem minimizar os perrengues e fazer dessa experiência algo inesquecível.

Também sei que a preparação para uma peregrinação como esta começa muito antes do primeiro passo, orientado pelas flechas amarelas. Sendo assim, resolvi listar 10 dicas para que sua jornada pelo Caminho da Fé  seja um sucesso. Continue lendo e descubra.

 

1. Como peregrino devo carregar uma credencial. Quanto custa e onde retiro a minha?

A credencial é seu passaporte no Caminho. O custo dela é de 10 reais e pode ser retirada nos pontos de saída, ou seja, na própria pousada credenciada. Começamos pelo ramal de Mococa-SP e nossa primeira noite foi no Plaza Hotel.  Naquele dia a credencial estava em falta e só conseguimos comprar em Águas da Prata –  ponto central do Caminho  que sempre tem inúmeras credenciais à venda.

2. Tudo pronto, vou começar. Mas como sei para onde ir?

Todo o caminho é sinalizado por flechas amarelas que indicam a direção que o peregrino deve seguir.

3. Preciso reservar a próxima pousada com antecedência?

O ideal é que avise sim, principalmente se estiver em um grupo grande. Algumas pousadas são bem pequenas e, avisando os proprietários, eles conseguem se organizar melhor. Arriscamos algumas vezes ir sem reservar, e deu tudo certo, até porque estávamos em duas.

Percebemos que existe um tipo de ‘lei’, baseada na compaixão, que impede que o peregrino durma na rua, ou seja, a casa do vizinho vira pouso e tudo, no final, dá certo. Leia esse relato aqui para saber mais sobre o espírito peregrino.

4. Sou vegetariano ou tenho outras restrições alimentares. Consigo me virar no Caminho?

Sim. Em algumas pousadas o jantar está incluso, sendo Asim, ligue para reservar e aproveite para avisar sobre suas preferências.

Lembrando que é tudo muito simples. Porém, um aviso pode evitar a calabresa no feijão, a lasanha com presunto e esse tipo de coisa. Nos lugares que não tem jantar, existem opções de restaurantes, padarias ou lanchonetes que podem solucionar seu problema. Se a restrição for muito específica, leve com você snacks e alimentos os quais possam te salvar.

5. Quanto dinheiro levar? Qual o banco com mais opções nas cidades? Os lugares aceitam cartão?

Levamos R$1000,00 em dinheiro e tivemos que sacar um pouco mais em Ouro Fino. Porém, tínhamos somente o cartão do Santander, o qual não existe nas cidades pequenas de Minas Gerais (ou pelo menos não existia em 2015).

Passamos um aperto mas conseguimos sacar no Banco do Brasil, sem o cartão mesmo, e para isso tivemos que chegar na cidade no horário de funcionamento dos bancos, ou seja, apertamos o passo. Enfim, Banco do Brasil e Caixa Econômica são as melhores opções, porque existem em todos os lugares. Bradesco também é uma boa opção.

Algumas pousadas aceitam cartão, mas são poucas. A grande maioria dos restaurantes nas cidades pequenas não aceitavam cartão. Se não quiser carregar muito dinheiro, leve cartões do Banco do Brasil ou Caixa Econômica, se não tiver conta em nenhum desses bancos, se planeje para não ficar sem dinheiro pelo caminho.

6. Qual tênis ou bota usar?

Um par testado, amaciado e confortável. Não vá, de jeito nenhum, com calçados novos e nunca usado. Teste antes seu equipamento.

Eu usei botas Salomon e confesso, sem jabá, que é minha marca preferida. Foi ótima, mas deixo aqui uma dica: no 9° dia de caminhada o meu tendão calcâneo estava bem sensível e a bota pegava justamente nele, tive um inchaço grande nesse dia. Comprei então uma palmilha em gel, que deixou meu calcanhar mais alto e resolveu todos os meus problemas.

Nas outras tantas caminhadas que fiz, nos anos seguinte, optei por tênis de corrida em trilhas. Meu favorito foi da marca Montrail. Com um único par fiz 3000 km pelas trilhas da Europa.

7. Como tratar dos pés durante a caminhada?

Pés! Assunto polêmico em caminhadas de longa distância. Cada um tem seu jeito particular de tratar e prevenir bolhas, mas, para gente, o que funcionou na prática foi:

– Hipoglos: passamos nos pés todos os dias, entre os dedos e nas áreas externas dos dedos e do calcanhar, e evitando assim o atrito e, consequentemente, as temidas bolhas.

– Carefree (absorvente): usei o absorvente na parte de cima dos dedos, justamente para uni-los e evitar que durante a caminhada houvesse atrito. Fazia uma espécie de ponteira com esparadrapo micropore, bem semelhante com as ponteiras de ballet – redondas e que cobrem todos os dedos.

Mas e se mesmo assim der bolha?

– Nebacetin: a solução das bolhas. Eu furava, retirava a água e depois cobria com muito Nebacetin, o que ajudava a secá-las bem mais rápido. Tem gente que usa a linha para drenar a bolha e evitar a formação de novos líquidos, testei e comigo não funcionou, mas para alguns é uma boa solução também.

8. O que levar?

O mínimo possível. Levei:

– 2 camisetas manga longa dry fit para caminhar.

– 1 camiseta mais quente de manga longa para pós banho e para dormir.

– 1 blusa de frio mais forte para pós banho (fizemos o caminho em julho)

– 1 blusa impermeável para dias de chuva

– 1 calça tactel para caminhada

– 1 calça mais quente para pós banho e para dormir.

– 3 calcinhas

– 2 meias

– 1 ecohead (para proteger pescoço e orelhas).

– Botas. Havaianas. Crocs.

– Shampoo e Condicionador pequenos. Escova de dente e pasta de dente. Desodorante e protetor solar.

– Celular, câmera e carregador de ambas.

9. O que é bom levar na farmácia pessoal?

Band aid. Esparadrapo. Remédio para dor muscular da sua preferência, tanto comprimido quanto pomada ou spray. Remédio para cólica. Nebacetin. Hipoglos. Protetor pele e labial. Anti alérgico.

10. Qual mochila levar?

Pequena e que prenda na cintura, para evitar o peso nos ombros. Usei uma Deuter 55 litros, achei grande e pesada.

O ideal é levar uma de 35 litros, pesando no máximo 6 quilos. 

Marcas que indico:

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